sexta-feira, 19 de junho de 2009
Ser gay, casar, ter filho e blá.
Que frequentemente me poupa do trabalho de escrever o que penso.
"A Cam falou. O que você achou da reportagem da Época?. Eu fiquei pensando se ela estava perguntando o que eu acho de duas mulheres serem mães da mesma criança. Ou o que eu achei da forma como Época tratou o negócio. E eu achei legal. A forma como a Época tratou. A gente que é isso e que além de tudo mexe com isso, vê sempre problema, né? Escorregão mesmo. Mas é chatice de quem é da área. As duas poderem registrar a criança eu acho tão básico. Eu já falei aqui uma vez. Que eu demoro demais pra sacar que as leis sobre isso são pra mim. Tipo que eu não posso casar e ter filho. Eu demoro mesmo. Porque eu vivo com planos de me casar. Se um dia acontecer, queria ver minha cara de "ué" quando não deixarem. Fico muito concentrada em arranjar a noiva e esqueço que antes preciso mudar o mundo etc. Não sei o que é mais difícil. Arrumar uma noiva ou acabar com um preconceito. Talvez eu devesse quebrar átomos por aí. Daí que eu não posso ler essas reportagens. E na internet tem os comentários. E eu fico irritada com os comentários que aparecem. Fico de verdade. Principalmente os comentários "ponderados". Que dizem olha, cada um faz o que quer, mas o que será dessa criança quando ela entrar na escola?. Uma coisa assim. Metida a ser reflexiva. A Maria Berenice, a advogada que mais atua nisso aí, de garantir os nossos direitos. Ela fala cada coisa legal. E eu queria falar dela aqui, há uns dias. Que foi quando o projeto da homofobia foi rejeitado no Senado. E uns senadores queriam fazer a alteração lá. Pra permitir que as igrejas continuem dizendo que nós somos pecadores e que o inferno é o nosso lugar. Ela disse que não era pra alterar porcaria nenhuma. Que as concessões encobrem o preconceito e que fica a impressão de que há tolerância, quando não há. É necessário que conheçamos mesmo a posição dos senadores. Posicione-se, Senado Federal. Uma coisa assim. E eu acho legal. Porque fica mesmo a impressão, sabe? Que há tolerância. Porque a gente tem muita visibilidade atualmente. E os valores individualistas respingam em nós. Então todos dizem cada um faz da sua vida o que bem entende. E é por isso que nós podemos ser gays. Porque a vida é nossa. E é óbvio isso, mas incomoda. Mas fica uma coisa complicada. Eu não sei resolver. Porque meio que encapsula a homossexualidade nisso aí de "cada um com sua vida". E fica latente o "desde que não me incomode". E "desde que não envolva a vida de um inocente". Whatever. Tudo tem me incomodado, como é fácil notar. Diante desses resmungos todos. Mas eu só vejo véu sobre véu. E minha psicóloga falava é uma cebola, mary. Você vai tirando as camadas. Infinita cebola, eu digo. Então eu não escrevi sobre a reportagem da Época porque eu não sei o que achar. Lendo assim, achei legal. Mas, né? Se fosse tão fácil, eu já tinha casado. Queria saber o que você achou.
Esse médico é legal também. Esse que fez. *O* cara.
Eu tenho muito problema com esses assuntos. Me ofende e me deixa no chão mesmo. Principalmente esse negócio de criança, de acharem que a gente é tarada e que melhor criança nem ficar perto. Que uma "casa gay" não é ambiente saudável. Ai. Nossa, fico mal mesmo. Por isso que não dou conta de debater direito. E pensar direito e tals."
quarta-feira, 17 de junho de 2009
terça-feira, 16 de junho de 2009
some things change
e', martina. era tudo superbacana ha' 30 anos. saca a animaçao do dede'.
domingo, 14 de junho de 2009
Dicionário Aureliona
sexta-feira, 12 de junho de 2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Contribuição
Wave Machines - I Go I Go I Go
quarta-feira, 10 de junho de 2009
depois de uma bela música, poesia
I
Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca
b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre 2 lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.
II
Desinventar objetos. O pente, por exemplo.
Dar ao pente funções de não pentear. Até que
ele fique à disposição de ser uma begônia. Ou
uma gravanha.
Usar algumas palavras que ainda não tenham
idioma.
III
Repetir repetir – até ficar diferente.
Repetir é um dom do estilo.
...
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Tanguinho
Minha contribuição é musical. Vou gostar de saber o que vocês acharam. Se acharem uma merda, pode dizer.
:)
domingo, 31 de maio de 2009
If you wanna be happy
sábado, 30 de maio de 2009
Banner parte 2
Segui mais ou menos o que a Juli sugeriu.
Vejam o que acham, clicando aqui.
Não deixem de comentar!
domingo, 24 de maio de 2009
continuando no tema...
2º - O nosso amor é parecido com o sonho porque não é senão a superfície do amor: O meu amor é impossível como realidade, possível só com amor. Cada um de nós, no nosso amor, não ama senão a si, no amor; sonha em voz alta e é ouvida. Sonha com o corpo, com os beijos, com os braços.
1º - Dir-lhe-ei que o não amo. Que melhor amante que tu? És mulher como eu e amando-te é a mim que me posso amar.
2º - Realizar o amor é desiludir-se. Quanto não é desiludir-se é acostumar-se. Acostumar-se é morrer. Por mim só amei na minha vida, e amo, a um estrangeiro de quem não vi mais do que o perfil, a um cair de tarde, quando estávamos numa multidão.
1º - Mas ele sabe que o amas? Se ele não sabe que tu o amas de que serve amá-lo?
2º O meu amor é o meu e está em mim e não nele. Que tem ele comigo senão que o amo? Se eu o conhecesse a nossa primeira palavra seria a nossa primeira desilusão... Valerá a pena amar o que podemos ter? Amar é querer e não ter. Amar é não ter. O que temos, temos, não amamos.
A - Se, apesar de tudo, nós nos amássemos!
B - Não, agora já não pode ser. Descobrimos num momento o que os felizes atravessaram a vida sem descobrir, e os mais infelizes levam muito tempo a achar. Descobrimos que somos dois e que por isso não nos podemos amar, Descobrimos que não se pode amar mas só supor que se ama.
A - Ah mas eu amo-te tanto, tanto! Tu se dizes isso é porque não imaginas quanto eu te amo.
B - Não, é porque eu sei quanto tu me não podes amar... Escuta-me. O nosso erro foi pensar no amor. Devíamos ter pensado apenas um no outro. Assim, descobrimo-nos, despimo-nos da ilusão para vermos bem como éramos e vimos que éramos apenas como a ilusão nos fizera. No fundo não somos nada senão Dois. No fundo somos uma epopeia eterna - o Homem e a Mulher...
A - Oh, meu amor, não pensemos mais, não pensemos mais. Amemos sem pensar. Maldito seja o pensamento! Se não pensássemos seríamos sempre felizes... Que tem quem ama com o saber que ama, com pensar amor, com o que é o amor?
B - Não podemos deixar de querer compreender. Quanto mais penso em tudo, mais tudo se me resolve em oposições, em divisões, em conflitos! Mataste de todo a minha felicidade! Agora mesmo que eu quisesse sonhar, nem isso podia fazer. O mundo é absurdo como um quarto sem porta nenhuma... Que alegria se não pensássemos, e que horror o havermos pensado!
A - Agora podemos sonhar... Vem. E não penses mais, não olhes mais para o amor.
B - Não... Agora é impossível. Podemos não pensar, mas não esquecer que pensámos... Sejamos fortes e separemo-nos agora para sempre. Oxalá nos possamos esquecer e esquecer que sonhámos o amor e vimos que ele era uma estátua vã... Olha, tolda-se o céu... Levanta-se o vento. Vai chover...
A - Já não ouso dizer-te que te amo, mas amar-te-ei sempre. Tu não me devias ter amado... Tu...
B - Nada devia ser comigo é... Fomos infelizes, mais nada. A curva desta estrada foi tal que dela vimos o amor e não pudemos amar mais.
A - Tu não me amaste nunca. Se tu me tivesses amado, tu não podias dizer isso. Se tu me tivesses amado tu não pensavas no amor, pensavas em mim. Sim, agora está tudo acabado, mas porque entre nós nunca houve senão o meu amor. Amaste-me talvez porque pensaste que eu te amava ou que te devia amar. Não sei porque me amaste, mas não foi por me teres amor... Porque me olhas assim tão diferente e alheado?
B - Porque reparo agora em quão pouco sabemos do que somos, do que pensamos, do que nos levas. Subiu-me agora à compreensão o que tudo isto é de complexo e absurdo. Não nos podemos compreender. Entre alma e alma há um abismo enorme. O que nós descobrimos afinal foi isso: eu vejo-o e tu não o queres ver. Mas eu descobri mais, ao reparar que não sei o que devo fazer - é que entre nós e mim próprio se abre um abismo também. Andamos como sonâmbulos numa terra de abismo.
A - Adeus, sê feliz e esquece-me. Não te demores que chove mais. Na curva da estrada há uma árvore grande onde te abrigares. Vai depressa, vai depressa. Chove mais.
---
Trecho de 'Diálogo no jardim do palácio', um dos textos da peça Pessoas. Hoje foi o último dia no SESC e a partir do dia 05/06 estará no Sérgio Porto.
Vale a pena, mas aviso: são 4 textos acontecendo ao mesmo tempo, com 4 atores que se revezam fazendo os textos. Podemos acompanhar um texto de cada vez e ir mudando a cada ciclo ou ver o mesmo texto com atores diferentes (as interpretações mudam) ou ver tudo ao mesmo tempo \o/. É meio enlouquecedor.
=)
quinta-feira, 21 de maio de 2009
quarta-feira, 20 de maio de 2009
ah, a paixão!

ontem no aeroporto li uma entrevista com o caetano. ele falava sobre tudo. coisas de caetano que tagarela e dá uns pitacos às vezes nada a ver com nada. mas sobre paixão ele foi no meu ponto.
a gente se apaixona. se apaixona e ponto. paixão é um sentimento independente de outra pessoa. é um estado de espírito absolutamente pessoal, só que transferível. a gente primeiro se apaixona. depois se apaixona por. porque a gente já está apaixonado. aí a paixão se desloca, se projeta no que nos encanta, nos excita. basta mexer um pouquinho com a química e voilá!
acho que isso explica por que a gente se prende a uma paixão 'errada', por que não se apaixona pel'A Pessoa que tem tudo a ver, por que se apaixona por uma pessoa que nunca nem tchum.
paixão não depende de ninguém. o outro, perfeito ou imperfeito, não é motivador. nem nós somos conscientemente motiváveis.
o lance é estar apaixonado. pra começar a se apaixonar por.
ai, ai.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Artaud e Van Gogh
Não é comum ver um homem, com o tiro que o matou no ventre, cobrir uma tela de corvos negros, tendo abaixo uma espécie de planície lívida talvez, vazia, de qualquer forma, onde a cor de borra de vinho da terra se confronta violentamente com o amarelo sujo do trigo.
Mas nenhum outro pintor, a não ser Van Gogh, saberia encontrar, para pintar seus corvos, esse negro de trufas, esse negro de “ricofestim” e, ao mesmo tempo, como que excremencial das asas dos corvos surpreendidos pelo clarão descendente do crepúsculo.
E, embaixo, de que se queixa a terra sob as asas dos corvos faustos, faustos apenas para Van Gogh, sem dúvida e, por outro lado, faustoso augúrio de um mal que já não o atingira?
Pois ninguém, até então, havia como ele transformado a terra nessa roupa suja retorcida de vinho e empapada de sangue.
O céu do quadro é muito baixo, esmagado, violáceo como as margens de um raio.
A tenebrosa franja insólita do vazio se elevando após o relâmpago.
Van Gogh soltou seus corvos como os micróbios negros de seu baço de suicida, a poucos centímetros do alto e como se viessem por baixo da tela, seguindo a negra cicatriz da linha onde o adejar de sua rica plumagem faz pesar, sobre o turbilhão de tempestade terrestre, as ameaças de uma sufocação vinda do alto.
E apesar disso, todo quadro é rico.
Rico, suntuoso e calmo, o quadro.
Digno acompanhamento para a morte daquele que, em vida, fez girar tantos sóis ébrios sobre tantos montões de feno rebeldes e que, desesperado, um tiro no ventre, não soube deixar de inundar de sangue e de vinho uma paisagem, molhar a terra com uma última emulsão, ao mesmo tempo alegre e tenebrosa, com gosto de vinho azedo e vinagre talhado.
É por isso que o tom da última tela pintada por Van Gogh, ele que, por outro lado, nunca ultrapassou a pintura, consegue evocar o timbre abrupto e bárbaro do drama elizabetano mais patético, passional e apaixonado.
É isto que me toca mais em Van Gogh, o maior pintor de todos os pintores, e que, sem ir além do que se fala, e que é a pintura, sem sair do tubo, do pincel, do en-quadramento do tema e da tela para recorrer à anedota, à narrativa, ao drama, à ação de imagens, à beleza intrínseca do assunto ou do objeto, conseguiu apaixonar a natureza e os objetos de tal forma que qualquer conto fabuloso de Edgar Poe, Herman Melville, Nathnaël Hawthorne, Gérard de Nerval, Achim d’Arnim ou Hoffmann não supera, no plano psicológico e dramático, suas telas de quatro cêntimos, quase todas as suas telas, aliás, e como que de propósito, de medíocre dimensão.
(trecho de Van Gogh. O Suicidado da Sociedade, de Antonin Artaud)

Estava aqui a pensar... e fui acometida por mil sentimentos... coisas boas e ruins.
Fiquei com saudade, fiquei triste e feliz. Me senti segura e estranha. Com vontade de gritar e querendo apenas ficar na minha. Achando que está tudo tranquilo e querendo jogar tudo pro alto e sair correndo.
Aí pensei: “cara!!! por que isso? por que esse paradoxo, essa contradição, ou sei lá como chamar?”. É chato isso, essa agitação sentimental.
Então resolvi escrever aqui, pois pensei no comentário da Fran sobre a combustão espontânea, que é justamente o que mais adoro na apresentação do alot.
domingo, 17 de maio de 2009
Rio pelo Dia Mundial de Combate à Homofobia
http://www.arco-iris.org.br/pragramacao.html
quarta-feira, 13 de maio de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Um banner novo pro blog
Com todas as mudanças visuais que estão acontecendo no blog, sugeri a Cindy a criação de um banner para colocar no lugar do título com a descrição atual. Assim, criei um e gostaria de compartilhar com vocês pra darem suas opiniões.
Dêem uma olhada, clicando no link abaixo e digam se gostam. Também podem fazer sugestões ou apresentar suas próprias propostas.
Para ver a proposta de banner clique aqui.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Filhodumaputamalcomida (ou Edir Macedo)
Que custa R$107.622,00.
Oi? Cento e sete mil? Edir, meu bem, tá caro!
Ele disse que quem ajuda o rádio não precisa ajudar o blog. Mas os fiéis têm medo de acabar o blog. Aí ajudam.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
A Minha Felicidade
Aprendi a encontrar.
Depois de um vento me ter feito frente
Navego com todos os ventos."
Friedrich Nietzsche
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Otimismo
(Carlos Nelson Coutinho em A democracia na batalha das idéias e nas lutas políticas do Brasil de hoje. Fávero & Semeraro (orgs). Democracia e Construção do Público na Pensamento Educacional Brasileiro. Ed. Vozes, 2002)
Ainda adoro Stereolab!
terça-feira, 28 de abril de 2009
masurca fogo
Eu quero ser possuída por você, pelo seu corpo, pela sua proteção, pelo seu sangue. Me ama! Eu quero que você me ame e fique eternamente me amando dentro de mim. Com sua carne e o seu amor. Eternamente, infinitamente dentro de mim me envolvendo, me decifrando, me consumindo, me revelando... Como uma tarde dentro do elevador , no verão, voltando da praia e você me abraçou e eu te abracei... E quanto mais eu me entregava, mais nascia o meu desejo, mais sobrava só o desejo, e mais eu te queria sem palavras, sem pensamentos... A vida inteira resumida só no desejo da tua boca dizendo o meu nome, da tua mão conduzindo a minha mão, do teu corpo revelando o meu corpo, como se o mundo fosse pela primeira vez, você o meu ponto de referência nessa cidade.
[Os Convalescentes . José Vicente] + [Hain't it Strange . K. D. Lang]
eu acho assim
você pode. você tem essa escolha. mas toda toda TODA escolha tem conseqüências. tudo tem dois (mil) lados. existem infinitas escolhas e cada escolha gera suas conseqüências, pro bem ou pro mal. o que eu acho é que quando se reclama da falta de escolhas, no fundo no fundo, está-se reclamando das conseqüências das escolhas que se queria escolher. que escolher o dia é perder a noite, que escolher trabalho é perder lazer, que escolher ter coisas é perder dinheiro.
daí entra com uma coisa que geisy disse: ninguém tem todas as escolhas, claro. minhas possíveis escolhas não são as suas. você pode achar que minhas opções são melhores, que as opções de um são melhores que as de outro e talvez você tenha razão.
pois que fique bem entendido: eu não acho que todos somos iguais, não acho que a minha vida é tão fácil e tão difícil quanto a da maioria. acho sim que nós aqui somos privilegiados, todos nós. que qualquer um que tenha possibilidade de ler isso é privilegiado. mas acho também que, nós privilegiados temos opções muito parecidas.
por outro lado, confesso que tenho uma puta tendência a pensar em eras geológicas, pensar o tempo em séculos, pensar a humanidade como um todo e não individualmente. daí que sou otimista pra caralho...
quinta-feira, 23 de abril de 2009
A cabeça rasa 2
Li um livro lá da editora (ainda não lançado) que fala um pouco sobre o capitalismo tardio, que seria uma fase que não se basearia mais na produção de bens de consumo, porque os ricos não têm mais necessidade disso e os pobres não têm dinheiro para comprá-los. Então, o que se produz hoje em dia é a própria necessidade. E, como grandes exemplos disso, ele cita IPhone e Ipod.
Para sustentar a criação de necessidades e o consumismo subseqüente (só uso a nova grafia quando sou obrigada), diretores e CEO's associaram suas mercadorias supérfluas à imagem de "vencedores". Você não compra porque precisa, compra porque quer passar uma imagem. E aí Debord (pre)viu a sociedade do espetáculo, a sociedade dos que parecem ser e/ou parecem ter.
A "fastfoodização" da teoria, dos relacionamentos e da forma de ver a vida em geral então não é uma escolha. É uma conseqüência do sistema econômico. Não é que todas as pessoas sejam assim, mas todas as pessoas recebem a mesma mensagem das mídias (que são as mensagens das empresas): "você não precisa nem pode perder tempo para ser algo, você só precisa parecer que é e pra isso compre logo os produtos que podem te fazer parecer." E eu queria deixar claro que, mesmo entendendo a realidade da mensagem, eu caio nela e tenho dificuldade de me aprofundar. Em tudo. Mas não é um problema pessoal, é social.
Esse é o cerne da questão, da minha questão: vivemos em uma suposta liberdade, mas numa manipulação asfixiante e até mesmo nossas relações mais pessoais sofrem pressão do mercado. Como li um dia, "as patologias da liberdade podem ser tão perigosas quanto as patologias da tirania; e muito mais dificilmente identificadas ou remediadas." (tenho que confirmar o autor)
Podemos nos aprofundar nas coisas, o ser humano tem essa capacidade, muitos já provaram isso, graças a deus. É possível que vivamos bastante sozinhos, sem tomar álcool ou drogas, concentrados em uma mesma questão por anos, sem termos amigos ou família, sem fazer sexo, sem ir a festas ou bares. Não estou dizendo que essa é a forma "correta" de viver, só estou querendo lembrar que temos mais capacidade e possibilidade do que o sistema nos faz crer que temos. O modelo de "vida feliz" ou "vida normal" que nos é imposto, e cria ansiedade, medo e padronização de desejos e pensamentos e sentimentos (o que é ótimo para o consumo), é nada mais que uma ilusão criada pelos filhos da puta detentores da patente da matrix.
(Na verdade, venho acreditando que tudo-tudo-tudo é ilusório – ou metafórico –, mas isso tá mais pra taoísmo e isso é outro post...)
quarta-feira, 22 de abril de 2009
A cabeça rasa
Fiquei feliz quando li o Maffesoli dizer sobre o "fast food teórico". Ok, já cansei de ouvir sobre isso, mas veio agora em um bom momento, em que eu tenho pensado muito sobre a vida fast food que colegas e família te cobram viver. Você tem que sair, encontrar amigos, visitar a família, ver todos os filmes, exposições, conhecer as bandas novas, saber tudo sobre o mercado em que atua, falar todas as línguas possíveis, ganhar mais dinheiro sempre, fazer sexo, beber álcool, estar em ambiente com barulhos... Você não pode parar e se concentrar calado, sozinho e em silêncio porque essa não é a imagem positiva, essa é a imagem do sofrimento, da solidão, do infeliz.
É um inferno. O positivo é estar desfocado, com muita gente falando ao mesmo tempo, fazendo muitas coisas ao mesmo tempo e, se possível, entorpecido de alguma maneira. Sua opinião tem que ser dada imediatamente, tem que ser curta e seguir a receita do que parece inteligente: ser irônico, parecer desinteressado, usar humor pra explorar possíveis absurdos de modo que tudo pareça absurdo e seja uma prova de que "nada faz sentido e por isso o lance é aproveitar a vida".
Se antes era só uma questão cultural fast food, agora é uma forma de levar a vida, o "eu não me estresso". As amizades fast food, os namoros fast food, as inimizades fast food, as relações cotidianas familiares ou não fast food... Isso me leva ao suicídio, acho, em até 3 meses. Isso é o que eu chamo de solidão, uma falta grave de concretude, de realidade interna, ou, mais bonito, de narrativa interna. Sempre que me perco em ilusões e gritarias e dentes expostos em sinal de felicidade, eu volto pro meu livro interno, que só devo acabar de ler e escrever quando eu morrer, ou nem aí. Daí eu volto a ler onde nasci, como foi a infância, o que eu queria naquela época, do que eu sempre gostei e tento novamente me ligar ao que eu sou pra me afastar dessa loucura triste.
E nada disso me salva de ser rasa. Só me salva do suicídio. Mas a dificuldade para ler mais de duas páginas ou só a introdução permanece. É um caralho de um esforço contínuo tentar pensar sempre na mesma coisa e fazer esse pensamento progredir, se aprofundar. Poucas vezes sinto minha mente realmente se aprofundando, tentando se ultrapassar. Acredito que preciso de um mestrado (engenharia de produção ou teoria da literatura, tanto faz) para me forçar, o que é uma vergonha para a humanidade, que já teve por exemplo a Civilização Grega e agora tem eu tentando manter um pensamento.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Valho mais morta :-/
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sexta-feira, 17 de abril de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Tendinietzsche Astral
domingo, 12 de abril de 2009
Trash pour 4
Dica da Letícia Féres.
:)
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Blondie featuring Lily Allen - Heart of Glass
=)
sábado, 4 de abril de 2009

=)
ps: por favor, leiam com bom humor.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Tem um sutiã vermelho batendo na minha cara
Agora eu acordei com o sutiã vermelho batendo na minha cara para me ensinar a tratar uma mulher direito.
terça-feira, 31 de março de 2009
sábado, 28 de março de 2009
A esquizofrenia
A felicidade, então
Acho que o meu normal é estar com cara de "eu mesma" (Ju, vc faz a melhor cara de "myself" que eu conheço), sem grandes alegrias, sem grandes dores, pensando no que me ocorreu até hoje, tudo que pode ainda me ocorrer, como minha vida está e como gostaria que fosse, o que acho que precisao aprender, o que acho que aprendi... E agora entrei numa "vibe" que me faz pensar sobre o que posso ensinar, prum filho, prum aluno, prum estagiário ou pra quem me pedir ou parecer que me pede ajuda.
Acho que passo quase todas as horas do meu dia e quase todos os meus dias pensando em como viver do jeito que eu gostaria. Sei que preciso aprender muito sobre disciplina (limite, controle), sobre solidão, sobre ser forte e ser fraco, sobre ter coragem e covardia e não sei aprender se não for me jogando em situações que me exijam isso. Há mais de 2 anos estou nisso (sim, há progressos, mas vai durar minha existência)... E o que é chamado de "diversão" me atrapalha mais que ajuda, me tira do foco. Na verdade, acho que toda a "matrix", o dia-a-dia, atrapalha mais que ajuda. Mas alivia quando se está cansado, mas só me ajuda quando estou cansada mesmo e é tão difícil ficar cansada de se conectar com o que é realmente essencial porque é tão difícil conseguir não se perder no cotidiano do que é essencial...
Eu passei a entender naturalmente quase todas as religiões. Passei (digamos "do nada") a entender porque quase todas chamam tudo isso de ilusão, incluindo relações humanas. E não conheço nada-nada-nada no mundo mais solitário e doloroso, mas o incrível é conseguir achar viver ótimo ainda assim depois que isso se torna parte fundamental da vida. Isso não é exatamente feliz, mas isso me parece mais verdadeiro comigo e faz tudo se tornar "mágico", o tempo se torna flexível, as dores se tornam menores, a morte parece menos incompreensível, as limitações humanas limitam muito menos, nada é exatamente impossível, nada mesmo.
Acho mais interessante viver essa outra coisa que eu não sei ainda sentir totalmente nem nomear. Acho que vai ser assim até minha morte.
Pizzicato Five me faz feliz
sexta-feira, 27 de março de 2009
Tô virando uma adulta esquisita...
Há todas aquelas frases que ensinam a viver, há as definições sobre o que realmente importa (saúde, família, amigos, amor, paz blablablá), eu queria mesmo me identificar com elas, sinceramente.
Mas não funciona.
Não acho nenhum deles ruim (ok, "família" às vezes...), mas nada disso nunca me salvou da falta de sentido que transforma a vida numa maldição tediosa. Ando desconfiando que felicidade significa pouco, que há algo maior que isso. Que eu ainda não sei sentir... :-/
quarta-feira, 25 de março de 2009
domingo, 22 de março de 2009
sábado, 21 de março de 2009
Bruno Aleixo
Mais: http://www.sicradical.pt/?v=program&p=o-programa-do-aleixo&option=home
=)
quinta-feira, 19 de março de 2009
sábado, 14 de março de 2009
Folha, explica?
Venho por meio deste post fazer a linha "leitores do Globo" e propor que a Folha de S.Paulo invista mais e mais em sua série Folha Explica porque ainda tem muita coisa que eu preciso entender.
Primeiras propostas:
- Criação da categoria Celebridades. Iniciando a série com Folha Explica Elke Maravilha.
- Criação (para ontem) da categoria Música. Apostando em artistas relevantes por sua incompreensibilidade com títulos como Folha Explica Preta Gil, Folha Explica Michael Jackson, Folha Explica Locomia, Folha Explica Amy Winehouse, Folha Explica Yoko Ono.
- Ampliação da categoria Comportamento com a criação da subcategoria Auto-ajuda ou Bem-estar (Folha, Explica), lançando ao mesmo tempo 5 títulos para se firmar logo no mercado. São eles: Folha, Explica Esse Vazio; Folha, Explica Essa Angústia; Folha, Explica Meu Cabelo; Folha, Explica Minha Mãe; Folha, Explica Isso Tudo.
"Obrigada à gerência"
quarta-feira, 11 de março de 2009
Sebastian's Voodoo
Aqui vai um lindo vídeo de animação:
Mais em: http://www.pixelnitrate.com
=)
domingo, 8 de março de 2009
sexta-feira, 6 de março de 2009
ôôôôôôô
=)
quinta-feira, 5 de março de 2009
Kraftwurst - we are pork products
=)
quarta-feira, 4 de março de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009
domingo, 1 de março de 2009
Cantaê Donbiafreidoviorfridom
The Soup Dragons - I’m Free lyrics
Endâbraziliãuei: a música do tradutor, do copi, do revisor etc.
Maiores informações com Letícia Féres





