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quinta-feira, 29 de maio de 2008

Tudo que nos cerca se torna parte de nós, se nos infiltra na sensação da carne e da vida,e, baba da grande Aranha, nos liga subtilmente ao que está perto, enleando-nos num leito de morte lenta, onde baloiçamos ao vento.

Tudo é nós, e nós somos tudo; mas de que serve isto, se tudo é nada? Um raio de sol, uma nuvem que a sombra súbita diz que passa, uma brisa que se ergue, o silêncio que se segue quando ela cessa, um rosto ou outro, algumas vozes, o riso casual entre elas que falam e depois a noite onde emergem sem sentido os hieróglifos quebrados das estrelas.

(Bernardo Soares - O Livro do Desassossego)