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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Sobre doutores e bbbs

Estou assistindo a esse bbb, o 10. Assisti ao 1 e ao 5 também. Duas coisas podem fazer uma boa história: uma boa idéia ou bons personagens. O bbb1 eu vi pela idéia, pelo formato, que era novo e apela ao meu lado velha de praça. Mas boa idéia não existe mais em bbb, não há nenhuma nova sacada e cada idéia só funciona uma vez. Já o bbb5 teve bons personagens e me pareceu até um pouco épico, uma luta do bem contra o mal que me deixou com uma sensação de 'ganhamos!'...

Aí veio o bbb10 e eu não estava assistindo. Não sei -- juro que não sei -- como, quando, nem por que comecei a assistir. Mas assistindo descobri que tinha uma "doutora em linguística" bbb, a tal Lena. Lena era a doutora, a gorda, a feia, a chata, enfim, todos os deméritos a ela... Lena foi emparedada* e saiu do bbb com 52% dos votos. É simplista dzer que ela saiu por ser a doutora, ela errou bastante no jogo e meteu os pés pelas mãos. Já tem muitos textos fazendo essa análise, não vale a pena ver de novo (he).

O que eu quero falar é da doutora. Estava jantando com mamãe ontem, ela falava de uma pessoa que conheceu pela internet e que se dizia doutor em física. Diz ela que pesquisou a página da universidade e, segundo ela "ele era mesmo aquilo tudo que dizia".
"Como assim, aquilo tudo o que, mãe?"
"Ah, era doutor, tinha artigos e até orientava doutorado."
"Mãe, metade dos meus amigos têm doutorado, pelos menos um quarto deles orienta mestrado e/ou doutorado."
"Ah é, né."
Daí fiquei pensando, é como se eu dissesse: "Nossa ela é cirurgiã! Abre uma pessoa, conserta tudo lá, costura de novo e a pessoa continua viva!" O que é mais impressionante? Alguém que sabe abrir e fechar uma pessoa ou outra que teve preguiça de começar a trabalhar então continuou estudando?**

Não estou tirando o (de)mérito da doutora, o meu ponto é que nos acostumamos à nossa realidade e se, de repente, aparece um comandante Picard dizendo que sobe montanhas on a regular basis, que faz música pra viver ou que tem uma loja de artigos de futebol de botão, pode ser difícil entender que de onde ele vem nenhuma destas coisas é assim tão impressionante. A gente se acostuma ao nosso mundo, e esquece que existem outros e que esses outros são tão prováveis quanto o nosso.




* Não consigo ler/ouvir essa expressão sem lembrar de Poe, de Tell-tale heart e The black cat.
** Sim, esse é o principal motivo para alguém emendar graduação, mestrado e doutorado.

domingo, 28 de junho de 2009

TMZ: "Eu tinha mágoa de MJ!"

Eu sempre "dou uma obcecada" com mortos. Mas com o Michael Jackson eu tenho pensando coisas novas. Na verdade, acho que ele tá sendo um dos poucos mortos que não estão me interessando por causa da morte, mas eu tô mesmo tentando entender o que eu sentia por ele enquanto ele ainda vivia.

Para mim, pouca diferença faz "MJ" vivo ou morto. Como disse uma colega do trabalho, "dizem até mesmo que ele nunca existiu". Isto é, na prática, tanto faz se ele era um personagem, um holograma, se ele existiu ou não. Mas como a história dele (me) incomodava é que eu acho louco.

Eu tinha uma espécie de horrorzinho a ele. Tinha nojo e fobiínha da pele dele. Achava que ele era uma doença mental ambulante e um corpo em decomposição. Ri dele diversas vezes, achava que ele era o cúmulo do zoável. Até quando ele morreu eu achei hilário, porque demorou pra ter certeza e até nisso o cara era esquisito, não era preto nem branco, nem totalmente insano nem normal, nem bicha nem hetero, nem gente nem E.T.; nem vivo ou morto a porra conseguia ser!

Fato é que eu achei que ele tinha, sim, que ser preso porque eu queria que ele confessasse. Não que ele estuprava crianças, mas que ele era maluco. Eu queria que ele se explicasse, que fosse OBRIGADO a se explicar pela justiça. Tinha que ter uma lei que proibisse esquisitice nesse nível! Foi isso que eu descobri sobre mim. Que eu não perdoava ele não querer ser compreendido, que eu não aceitava ele não tentar, ao menos, ser razoável, que eu tinha "mágoa" por ele se achar tão superior a tudo a ponto de achar que poderia fazer o que quisesse sem ter que pagar por isso.

Nunca entendi se ele era culpado ou não por "comer criancinha", mas que ele merecia ser preso era um fato. Para dizer que se arrependia por ter feito coisas que ninguém faz. Tinha que dizer na CNN que ele realmente tentou deixar de ser negro e que se envergonhava disso, que ele era pedófilo e se odiava por isso, que destruiu sua própria cara porque não se aceitava e que se arrependia profundamente disso. Em suma, ele tinha que dizer que o senso comum sempre teve razão e que ele se arrependia de tentar ir contra "nós", que ele era uma aberração, mas ia tentar viver como "nós" dali pra frente. Esse era o mínimo que eu precisava dele para deixar de vê-lo como puro e exclusivo objeto de escárnio mundial.

Mas eu acho que não era só eu. Acho que havia mais pessoas com pensamentos nazistas como os meus, só que é difícil perceber, acreditar e admitir que você se tornou ruim, mesmo que apenas em relação a um assunto. Principalmente porque poucas pessoas são ruins o tempo todo (ou boas o tempo todo), então, "acompanhando o histórico", mesmo seu assassino pode estar sinceramente no melhor momento dele.